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Maringá,
08 de Fevereiro de 2010
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Um britânico que passou quase dois anos vivendo, se alimentando e dormindo com uma família de lobos, sem qualquer contato com humanos, acaba de publicar um livro contando sua história. Em The Man Who Lives With Wolves ("O Homem que Vive com os Lobos"), publicado pela editora Harper Collins, Shaun Ellis narra em parceria com Penny Junor suas experiências com esses animais selvagens.
Ellis viveu por quase sete anos com uma tribo americana, no Estado de Idaho, no oeste dos Estados Unidos, para aprender mais sobre os lobos. Durante esse período, aprendeu a observar os animais e a entender como eles se relacionam.
Depois de conseguir se aproximar dos lobos, passou dois anos como membro de uma matilha. São desse período as principais experiências narradas no livro.
Mais tarde, de volta à Inglaterra, ele se estabeleceu no Parque de Vida Selvagem Combe Martin, onde continua lidando com lobos.
Lá, Ellis adotou três filhotes abandonados ao nascerem e assumiu o papel de líder da família.

Dormindo com lobos - Em entrevista ao programa Outlook do Serviço Mundial da BBC, Ellis conta que seu primeiro contato com os lobos foi em um zoológico. Ele trabalhava no local, mas acabou demitido quando descobriram que ele pretendia libertar os animais.
"Nesse animal em que a maioria das pessoas vê um matador selvagem e impiedoso, eu vi um ser compassivo e muito ligado à família. Para mim havia algo além do mito, da lenda. (...) Então, minha missão passou a ser desvendá-lo", disse à BBC.
Ellis compara a família dos lobos à sua própria. "Fui criado pelos meus pais e também pelos meus avós, assim como os lobos são. Isso parece criar aquele equilíbrio natural, em que os menos experientes ganham experiência e conhecimento por ter um animal mais velho para guiá-los", disse.
Perguntado sobre como se alimentava enquanto viveu com os lobos, ele revelou que compartilhava da alimentação dos demais membros de sua matilha.
"Eu percebi logo que os lobos se dividem pelo que comem. Cada grupo de animal come uma parte diferente da caça. Os animais alfa, os líderes, iriam sempre comer o coração, o rim e o fígado. (...) Para mim sobrava tórax, pescoço etc.".
Segundo ele, tudo era consumido cru mesmo. "Depois de passar a maior parte da semana sem comida, acredite, isso pode ser a melhor coisa que você já comeu na vida", conta Ellis.
O pesquisador admite na entrevista que, nas primeiras duas ou três semanas em meio aos lobos, não conseguiu dormir por medo de que os animais pulassem sobre ele.
"Com o passar dos dias, semanas, meses, anos, o medo se transformou num saudável respeito pelos lobos. Para mim, havia uma linha tênue entre ser aceito e ser expulso do grupo, ou até mesmo ferido ou morto", conta.
Perigo - O momento mais assustador que enfrentou, segundo ele, foi quando um lobo aparentemente "lhe disse" para não ir ao rio tomar água. "Ele o fez de uma forma muito agressiva, mordendo partes do meu corpo e chegando ao ponto de me derrubar dentro de uma árvore oca", narra Ellis.
Horas depois, o mesmo lobo lamberia o seu rosto e o conduziria ao rio, onde Ellis encontraria sinais de que um urso gigante havia passado por ali. "Então, na verdade, aquele lobo havia salvo minha vida", lembra.
Para ele, a decisão mais difícil de sua vida foi ter de deixar sua família de lobos para trás e voltar à civilização, retomando seu lado humano.
"Levou meses até que eu voltasse a ter qualquer interesse na humanidade", revela.

BBC Brasil
Foto do livro The Man Who Lives with Wolves, de Shaun Ellis e Penny Junor (HarperCollins)

 

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